ouvindo: los hermanos. último romance
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
é mentira.
não consigo me desligar tão fácil assim... com vocês, voltaire e a letra a do seu dicionário filosófico:
Alma
Diz Santo Tomás (questão septuagésima quinta e subseqüentes) que a alma é uma forma subsistante per se. Que está em todas as coisas. Que sua essência difere de sua potência. Que há três almas vegetativas: nutritiva, aumentativa, generativa. Que a memória das coisas espirituais é espiritual. Que a memória das coisas corporais é corporal. Que a alma racional é uma forma imaterial quanto às operações e material quanto ao ser. Sto. Tomás escreveu duas mil páginas dessa força e dessa clareza. É o pai da escola.
Amizade
Contrato tácito entre duas pessoas sensíveis e virtuosas. Sensíveis porque um monge, um solitário, pode não ser ruim e viver sem conhecer a amizade. Virtuosas porque os maus não adjungem mais que cúmplices. Os voluptuosos careiam companheiros de devassidão. Os interesseiros reúnem sócios. Os políticos congregam partidários. O comum dos homens ociosos mantêm relações. Os príncipes têm cortesãos. Só os virtuosos possuem amigos.
Amor
Todos os outros sentimentos de presto se amalgamam com o amor como metais em fusão com o ouro. Vêem reforçá-lo a amizade, a estima. São outros elos de união os dotes do corpo e do espírito.
Amor Próprio
Um mendigo dos arredores de Madri esmolava nobremente. Disse-lhe um transeunte:
- O sr. não tem vergonha de se dedicar a mister tão infame, quando podia trabalhar?
- Senhor, - respondeu o pedinte - estou lhe pedindo dinheiro e não conselhos. - E com toda a dignidade castelhana virou-lhe as costas. Era um mendigo soberbo. Um nada lhe feria a vaidade. Pedia esmola por amor de si mesmo, e por amor de si mesmo não suportava reprimendas.
Antropófagos
Falamos do amor. É duro passar de pessoas que se beijam a pessoas que se comem.
Ateu, Ateísmo
Parece-me que Bayle devia antes examinar qual o mais nocivo, se o fanatismo, se o ateísmo. O fanatismo é certamente mil vezes mais funesto, porquanto o ateísmo não inspira, como ele, paixão sanguinária. O ateísmo não se opõe ao crime: o fanatismo o atiça. E, como disse um autor conhecido, o catequista anuncia Deus às crianças e Newton o demonstra aos sábios.
ouvindo: los hermanos. o vencedor
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
sábado, 9 de janeiro de 2010
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
continuando...
a música do último post é do disco nove luas, que eu adoro. desse mesmo disco vem a próxima declaração... essa sim, de-fazer-chorar-de-tão-linda!
outra belezaos paralamas do sucessoOutra beleza
Outra beleza, você tem
Que põe cama e mesa
E mais beleza no mundo também.
Não tá no frio da pedra, do bronze ou da tela
Tá no olhar, tá no movimento dela
Em cada suspiro de amor
Cada gesto de mão, cada novo sabor
Cada ocasião em que a alma se revela.
O sol já se põe na paisagem da minha janela
Se o telefone tocar já sei que é ela
De caras e bocas e marcas
De ostentação, de comparação
Não precisa não
Você é muito mais bela!
ouvindo: quarteto novo. canta maria
seja você
mais uma pra série as mais belas declarações de amor.
(ok, ela pode não ser das mais belas. mas é das mais verdadeiras...)
(ok, ela pode não ser das mais belas. mas é das mais verdadeiras...)
seja vocêos paralamas do sucesso
Vai sempre ter alguém
Com mais dinheiro, mais respeito
Mais ou menos tudo o que se pode ter
Vai sempre sobrar, faltar
Alguma coisa, somos imperfeitos
E o que falta cega p'ro que já se tem
Eu não te completo
Você não me basta
Mas é lindo o gesto de se oferecer
O que eu quero nem sempre eu preciso
Mas dê um sorriso quando me entender
Seja você
Seja só você
Seja você
Seja só você
ouvindo: quarteto novo. algodão
domingo, 22 de novembro de 2009
pérola do dia (de ontem)
trata-se do museu clube da esquina.
a minha relação pessoal com esse movimento é curiosa: eu não conseguia ouvir nada deles até menos de 2 anos atrás. não dá pra explicar o porquê. eu simplesmente não gostava. aí um dia, do nada, me bateu uma vontade de escutar paula e bebeto, música do milton. por causa dela, baixei o disco minas, escutei algumas vezes e... pimba! me toquei de que era a coisa mais revolucionária que eu ouvia em muito tempo. aí baixei o clube da esquina (disco-marco-inicial do movimento), outros discos do milton... e fui me envolvendo com o som... até o ponto de desconfiar que esse seja o meu movimento musical preferido! importante, né?
mas eu ainda tenho muuuito o que conhecer. e daí que eu descobri o museu virtual. pirei! meu sonho é ler tudinho que tá escrito lá. de cara eu já recomendo a linha do tempo, um paralelo feito (desde o fim do século 18!!!) entre o contexto sócio-econômico, o panorama musical brasileiro e mundial e a trajetória do clube da esquina. um deleite pra quem gosta de história/música/história da música!
ah, sem esquecer: o museu faz parte de um projeto maior, que é o museu da pessoa: bacaníssimo!
a minha relação pessoal com esse movimento é curiosa: eu não conseguia ouvir nada deles até menos de 2 anos atrás. não dá pra explicar o porquê. eu simplesmente não gostava. aí um dia, do nada, me bateu uma vontade de escutar paula e bebeto, música do milton. por causa dela, baixei o disco minas, escutei algumas vezes e... pimba! me toquei de que era a coisa mais revolucionária que eu ouvia em muito tempo. aí baixei o clube da esquina (disco-marco-inicial do movimento), outros discos do milton... e fui me envolvendo com o som... até o ponto de desconfiar que esse seja o meu movimento musical preferido! importante, né?
mas eu ainda tenho muuuito o que conhecer. e daí que eu descobri o museu virtual. pirei! meu sonho é ler tudinho que tá escrito lá. de cara eu já recomendo a linha do tempo, um paralelo feito (desde o fim do século 18!!!) entre o contexto sócio-econômico, o panorama musical brasileiro e mundial e a trajetória do clube da esquina. um deleite pra quem gosta de história/música/história da música!
ah, sem esquecer: o museu faz parte de um projeto maior, que é o museu da pessoa: bacaníssimo!
ouvindo: beto guedes. salve rainha
domingo, 15 de novembro de 2009
ah, o amor!...
o último post me inspirou a começar uma nova série neste blog: as mais belas declarações de amor.
ok, o nome ficou brega. mas, acredite em mim, mulheres do mundo inteiro seriam capazes do inimaginável, só pra ouvir algo assim:
ok, o nome ficou brega. mas, acredite em mim, mulheres do mundo inteiro seriam capazes do inimaginável, só pra ouvir algo assim:
meu esquemafred zero quatro
Ela é meu treino de futebol
Ela é meu domingão de sol
Ela é meu esquema
Ela é meu concerto de rock'n'roll
Nação, minha torcida gritando gol
Minha Ipanema
Ela é meu curso de anatomia
Ela é meu retiro espiritual
Ela é minha história
Ela é meu desfile internacional
Ela é meu bloco de carnaval
Minha evolução...
Galega
Tento descrever o que é estar com você
Princesa
Todos vão saber que eu estou muito bem com você
Ela é minha ilha da Fantasia
A mais avançada das terapias
Meu Playcenter
Ela é minha pista alucinada
A mais concorrida das baladas
Meu inferninho
Ela é meu esporte radical
Poderosa, viciante, mas não faz mal
Meu docinho
Ela é o que meu médico receitou
Rivaldo Maravilha mandando um gol
Minha chapação...
Galega
Nem dá pra dizer o que é estar com você
Princesa
Todo mundo vê que eu sou mais...
ouvindo: mundo livre s/a. meu esquema
sábado, 14 de novembro de 2009
o mangue beat
recortes do principal movimento musical brasileiro da década de 90:
começando com caranguejos com cérebro, manifesto escrito por fred zero quatro, jornalista e líder da banda mundo livre s/a, em julho de 1992. dessa banda é a música em seguida - a minha preferida deles. por fim, uma frase do chico science, que dispensa apresentações.
começando com caranguejos com cérebro, manifesto escrito por fred zero quatro, jornalista e líder da banda mundo livre s/a, em julho de 1992. dessa banda é a música em seguida - a minha preferida deles. por fim, uma frase do chico science, que dispensa apresentações.
Mangue, o conceito
Estuário. Parte terminal de rio ou lagoa. Porção de rio com água salobra. Em suas margens se encontram os manguezais, comunidades de plantas tropicais ou subtropicais inundadas pelos movimentos das marés. Pela troca de matéria orgânica entre a água doce e a água salgada, os mangues estão entre os ecossistemas mais produtivos do mundo.
Estima-se que duas mil espécies de microorganismos e animais vertebrados e invertebrados estejam associados à vegetação do mangue. Os estuários fornecem áreas de desova e criação para dois terços da produção anual de pescados do mundo inteiro. Pelo menos oitenta espécies comercialmente importantes dependem do alagadiço costeiro.
Não é por acaso que os mangues são considerados um elo básico da cadeia alimentar marinha. Apesar das muriçocas, mosquitos e mutucas, inimigos das donas-de-casa, para os cientistas são tidos como símbolos de fertilidade, diversidade e riqueza.
Manguetown, a cidade
A planície costeira onde a cidade do Recife foi fundada é cortada por seis rios. Após a expulsão dos holandeses, no século XVII, a (ex)cidade *maurícia* passou desordenadamente às custas do aterramento indiscriminado e da destruição de seus manguezais.
Em contrapartida, o desvairio irresistível de uma cínica noção de *progresso*, que elevou a cidade ao posto de *metrópole* do Nordeste, não tardou a revelar sua fragilidade.
Bastaram pequenas mudanças nos ventos da história, para que os primeiros sinais de esclerose econômica se manifestassem, no início dos anos setenta. Nos últimos trinta anos, a síndrome da estagnação, aliada a permanência do mito da *metrópole* só tem levado ao agravamento acelerado do quadro de miséria e caos urbano.
Mangue, a cena
Emergência! Um choque rápido ou o Recife morre de infarto! Não é preciso ser médico para saber que a maneira mais simples de parar o coração de um sujeito é obstruindo as suas veias. O modo mais rápido, também, de infartar e esvaziar a alma de uma cidade como o Recife é matar os seus rios e aterrar os seus estuários. O que fazer para não afundar na depressão crônica que paralisa os cidadãos? Como devolver o ânimo, deslobotomizar e recarregar as baterias da cidade? Simples! Basta injetar um pouco de energia na lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife.
Em meados de 91, começou a ser gerado e articulado em vários pontos da cidade um núcleo de pesquisa e produção de idéias pop. O objetivo era engendrar um *circuito energético*, capaz de conectar as boas vibrações dos mangues com a rede mundial de circulação de conceitos pop. Imagem símbolo: uma antena parabólica enfiada na lama.
Hoje, Os mangueboys e manguegirls são indivíduos interessados em hip-hop, colapso da modernidade, Caos, ataques de predadores marítimos (principalmente tubarões), moda, Jackson do Pandeiro, Josué de Castro, rádio, sexo não-virtual, sabotagem, música de rua, conflitos étnicos, midiotia, Malcom Maclaren, Os Simpsons e todos os avanços da química aplicados no terreno da alteração e expansão da consciência.
Bastaram poucos anos para os produtos da fábrica mangue invadirem o Recife e começarem a se espalhar pelos quatro cantos do mundo. A descarga inicial de energia gerou uma cena musical com mais de cem bandas. No rastro dela, surgiram programas de rádio, desfiles de moda, vídeo clipes, filmes e muito mais. Pouco a pouco, as artérias vão sendo desbloqueadas e o sangue volta a circular pelas veias da Manguetown.
Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
pílula de sabedoria, com wilson abrantes
eu não me atraso. por isso não sou ansioso.
ouvindo: casuarina. é isso aí (isso é problema dela)
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
exército brasileiro
tenho um pouco de preguiça pra vídeos engraçadinhos do youtube. mas adorei esse!!!
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
pílula de sabedoria, com ana garcez
Estou pregando a reserva de um tempo para que todos nós façamos o que gostamos, tempo esse que não pode ser substituído por nada: compromisso inadiável.
mais? aqui.
ouvindo: dorival caymmi. 365 igrejas
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
falha GRAVÍSSIMA
eu não acredito que ainda não tinha colocado essa música aqui. é que ela é séria candidata a melhor música do ano!!!
domingo, 11 de outubro de 2009
emergência
mario quintana
Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela
abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.
domingo, 4 de outubro de 2009
changes
david bowie
Oh Yeah
Mmmm
Still don't know what I was waiting for
And my time was running wild
A million dead-end streets and
Every time I thought I'd got it made
It seemed the taste was not so sweet
So I turned myself to face me
But I've never caught a glimpse
Of how the others must see the faker
I'm much too fast to take that test
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Don't wanna be a richer man
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Just gonna have to be a different man
Time may change me
But I can't trace time
Ooo yeah
I watch the ripples change their size
But never leave the stream
Of warm impermanence and
So the days float through my eyes
But still the days seem the same
And these children that you spit on
As they try to change their worlds
Are immune to your consultations
They're quite aware of what they're going through
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Don't tell them to grow up and out of it
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Where's your shame
You've left us up to our necks in it
Time may change me
But you can't trace time
Strange fascination, fascinating me
Ah Changes are taking the pace I'm going through
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Oh, look out you rock 'n rollers
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Pretty soon now you're gonna get older
Time may change me
But I can't trace time
I said that time may change me
But I can't trace time
sábado, 3 de outubro de 2009
os três mal-amados
joão cabral de melo neto
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
li no blog do alvarenga
atualização em 18/10/09: vídeo muito bem indicado pelo nestor:
ouvindo: travis. why does it always rain on me?
atualização em 18/10/09: vídeo muito bem indicado pelo nestor:
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